Quem acompanha o Internacional há algum tempo sabe que a história do novo centro de treinamento em Guaíba parece aquele projeto de reforma da casa que todo mundo fala, planeja, mas ainda não saiu do papel. A boa notícia é que a conversa está ficando mais séria. E dessa vez, com grupo de trabalho oficial e tudo.
Uma reunião no Beira-Rio que pode mudar o futuro do clube
Na última sexta-feira, o almoço no estádio Beira-Rio teve um cardápio diferente: junto com a comida, rolou uma reunião importante entre a diretoria do Inter e representantes da prefeitura de Guaíba. Presentes estavam o prefeito Marcelo Maranata, a vice-prefeita Claudinha Jardim, além de boa parte da cúpula colorada — incluindo o presidente Alessandro Barcellos e o CEO Giovane Zanardo.
O papo foi para atualizar a prefeitura sobre o estágio atual do projeto. Afinal, houve mudança de gestão na cidade, então fazia sentido sentar e colocar todo mundo na mesma página.
Mas afinal, o que é essa “Cidade do Inter”?

Pensa assim: o Inter tem uma área de 90 hectares em Guaíba — que fica bem pertinho de Porto Alegre, quem conhece a região sabe — e quer transformar esse terreno num centro de treinamento de alto nível. Batizaram o projeto de “Cidade do Inter”, e ele existe no papel desde 2019, quando o clube assinou a escritura do terreno.
A ideia é criar uma estrutura completa para o clube trabalhar com seus atletas: campos, estrutura de saúde, alojamentos, enfim, tudo que um clube moderno precisa pra competir de igual pra igual com as grandes potências do futebol brasileiro.
O problema? Dinheiro. Como quase sempre.
R$ 100 milhões: o nó da questão
O custo estimado da obra gira em torno de R$ 100 milhões. Não é uma ninharia, né? É um valor que exige planejamento cuidadoso, busca por financiamento e, principalmente, parceiros dispostos a embarcar no projeto.
Até agora, o Inter ainda não resolveu essa equação. A diretoria segue em busca de formas de viabilizar o investimento — seja por meio de patrocínios, linhas de crédito ou outras fontes. Esse é o principal obstáculo que mantém a obra no plano das intenções.
A enchente de 2024 mudou os planos
Quem lembra das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024 entende por que o projeto precisou ser revisado. A tragédia trouxe uma lição dura: construir sem considerar o nível das águas é arriscado demais.
Por causa disso, o presidente Alessandro Barcellos explicou na reunião que será necessário elevar a cota da área — ou seja, subir o terreno para que a estrutura fique protegida em casos de alagamento. Uma adaptação necessária, mas que obviamente pesa no planejamento e pode impactar nos custos.
Grupo de trabalho: por que isso importa?
Criar um grupo de trabalho entre o clube e a prefeitura pode parecer só mais uma formalidade burocrática. Mas na prática, é um passo real. Significa que as duas partes vão sentar juntas com regularidade para resolver questões práticas — como licenças, infraestrutura urbana, acesso ao local, entre outras coisas.
Sem esse tipo de alinhamento, obras desse porte travam. Com ele, pelo menos os trâmites oficiais caminham.
O projeto arquitetônico: o que se sabe (e o que não se sabe)
Aqui a coisa fica um pouco nebulosa. O Inter não divulgou detalhes do projeto arquitetônico atualizado. Sabe-se que houve um redesenho no início da gestão atual, lá em 2021, mas os detalhes — como quantos campos haverá, como será a estrutura de alojamento, etc. — seguem guardados.
É uma estratégia comum de clubes: evitar criar expectativa pública antes de ter tudo amarrado. Mas também deixa a torcida curiosa, sem dúvida.
Por que isso importa pra torcida colorada?
Um CT de qualidade não é luxo. É ferramenta de trabalho. Clubes com boas estruturas conseguem revelar mais talentos, manter atletas saudáveis por mais tempo e atrair profissionais qualificados para a comissão técnica e o departamento médico.
O Grêmio, por exemplo, tem no seu CT do Eldorado uma referência no Brasil. O Inter sabe que precisa ter algo equivalente — ou melhor — pra seguir competindo de igual pra igual não só no campo, mas na formação de gerações futuras.
O que vem pela frente?
A reunião desta sexta foi um passo. Importante, mas ainda pequeno diante do tamanho do desafio. Os próximos meses devem trazer mais clareza sobre o financiamento, que é o verdadeiro divisor de águas entre o projeto sair do papel ou continuar sendo aquele sonho bem-intencionado que todo torcedor já sabe de cor.
Se o Inter conseguir fechar os R$ 100 milhões — seja com patrocinadores, crédito esportivo ou alguma parceria pública-privada — Guaíba pode virar um símbolo novo do clube. Não só no Rio Grande do Sul, mas no Brasil inteiro.
Por enquanto, o grupo de trabalho está formado. O terreno existe. A vontade parece estar lá. Só falta o dinheiro aparecer.

