Inter Escola onde Alisson estudou expõe documentos da época; veja

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Documentos preservados pela Escola Estadual João Ribeiro, em Novo Hamburgo, revelam detalhe


Documentos preservados pela Escola Estadual João Ribeiro, em Novo Hamburgo, revelam detalhes inéditos da rotina do goleiro da Seleção Brasileira quando ele conciliava estudos e base do Internacional

A Escola Estadual de Ensino Fundamental João Ribeiro, localizada em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, se transformou em um verdadeiro baú de memórias do goleiro Alisson Becker. Guardados com carinho e zelo na secretaria da instituição, documentos que datam da época em que o atual camisa 1 da Seleção Brasileira era apenas um estudante sonhador revelam detalhes curiosos e emocionantes sobre sua trajetória antes de se tornar um dos melhores goleiros do mundo.

Entre os registros preservados, estão bilhetes manuscritos pela mãe, Magali Becker, solicitando liberação para que o jovem Alisson pudesse se apresentar ao Sport Club Internacional em horário de aula, boletins escolares que mostram seu desempenho acadêmico e até advertências por atrasos – provas concretas de que, mesmo antes da fama, o atleta já precisava equilibrar as responsabilidades de estudante com os compromissos de um jogador em formação.

As revelações foram apresentadas no quadro “RBS Na Tua Copa”, exibido pelo Jornal do Almoço, e trouxeram à tona lembranças guardadas com muito afeto pelas professoras Renata Silvana Borth e Maristela Adams, que acompanharam de perto a trajetória do goleiro durante seus anos de formação escolar.

Professoras Lembram Aluno Dedicado e Sociável

As educadoras que conviveram com Alisson durante o período escolar guardam na memória não apenas as dificuldades de conciliar os estudos com os treinos, mas principalmente as qualidades que já eram evidentes no jovem atleta. A professora Renata Silvana Borth destaca que, apesar dos desafios logísticos que a carreira esportiva impunha, Alisson sempre demonstrou comprometimento com sua formação acadêmica.

“Apesar de atrasar às vezes, por estar envolvido nos jogos, ele sempre foi um aluno dedicado”, conta Renata, relembrando um aluno que, mesmo com a agenda apertada pelos compromissos com as categorias de base do Internacional, nunca deixou de lado suas obrigações escolares.

A professora Maristela Adams complementa as lembranças destacando características pessoais que iam além do desempenho em sala de aula. Segundo ela, Alisson era um estudante extremamente sociável, que se relacionava bem com todos e já demonstrava, desde cedo, qualidades que o tornavam querido por colegas e professores.

“Adorava ‘bater uma bolinha’ na hora do intervalo, era muito proativo, adorava ajudar e circulava bem em todos os grupos”, recorda Maristela, descrevendo um jovem que, mesmo com o futebol já ocupando espaço importante em sua vida, não abria mão de viver plenamente sua infância e adolescência, participando ativamente das atividades escolares e se integrando naturalmente aos diferentes grupos de amigos.

Essas memórias pintam o retrato de um estudante que, mesmo carregando o peso de um sonho profissional ambicioso, conseguia manter o equilíbrio necessário para aproveitar cada fase de sua formação, tanto acadêmica quanto esportiva.

Documentos Comprovam Rotina de Conciliação Entre Escola e Futebol

O acervo documental preservado pela Escola Estadual João Ribeiro oferece um olhar privilegiado sobre os bastidores da formação de um atleta de elite. Entre os papéis amarelados pelo tempo, mas cuidadosamente guardados, está um bilhete manuscrito pela mãe de Alisson, Magali Becker, solicitando à escola que liberasse o filho para comparecer ao Estádio Beira-Rio, sede do Internacional, em horário de aula.

Esse tipo de documento era essencial para justificar as ausências do jovem atleta e garantir que ele pudesse cumprir seus compromissos com o clube sem prejuízo acadêmico. A necessidade desses pedidos de liberação ilustra perfeitamente o desafio enfrentado por famílias de jovens atletas: equilibrar a busca pelo sonho profissional com a obrigatoriedade da educação formal.

Outro documento que integra o acervo é um atestado de ausência emitido pelo próprio Sport Club Internacional, evidenciando o suporte e a estrutura que o jovem goleiro recebia do clube gaúcho já naquela época. Esse tipo de atestação era fundamental para comprovar que as faltas estavam relacionadas a atividades oficiais do clube, como treinos, jogos e concentrações, e não representavam negligência por parte do estudante ou da família.

O fato de o Internacional emitir esses documentos demonstra o compromisso do clube com a formação integral de seus atletas, reconhecendo a importância da educação escolar mesmo durante o processo de desenvolvimento esportivo.

Advertências por Atraso Revelam Lado Humano da Trajetória

Nem tudo eram flores na conciliação entre os estudos e o futebol. Um dos documentos mais curiosos preservados pela escola é uma advertência por atraso, que registra o dia em que o jovem Alisson chegou atrasado pela nona vez. O documento, que poderia ser visto como uma marca negativa, na verdade humaniza a trajetória do atleta e mostra que, mesmo com todo o talento e dedicação, ele estava sujeito às mesmas dificuldades de qualquer estudante que precisa dividir seu tempo entre múltiplas responsabilidades.

O que torna esse registro ainda mais especial é o fato de que, no papel, consta a assinatura do pai de Alisson. Esse detalhe revela o envolvimento direto da família na vida escolar do jovem atleta e demonstra que os pais estavam presentes, acompanhando de perto tanto o desempenho acadêmico quanto os desafios impostos pela rotina de treinos e jogos.

Essas advertências, longe de representar um problema disciplinar, contam a história de um jovem que, desde cedo, precisou aprender a gerenciar seu tempo e priorizar suas obrigações, desenvolvendo habilidades que seriam fundamentais não apenas para sua carreira esportiva, mas para sua formação como cidadão.

Importância da Preservação da Memória Escolar

A iniciativa da Escola Estadual João Ribeiro em preservar esses documentos vai muito além da simples guarda de papéis antigos. Trata-se de um ato de valorização da história local e do reconhecimento de que cada aluno, independentemente do caminho que venha a trilhar, deixa marcas importantes na instituição que o viu crescer.

Esses registros servem como fonte de inspiração para as atuais e futuras gerações de estudantes, mostrando que é possível conciliar sonhos ambiciosos com dedicação aos estudos. Além disso, os documentos oferecem um material valioso para pesquisadores e jornalistas interessados em entender o processo de formação de atletas de elite no Brasil.

As professoras Renata e Maristela, ao compartilharem suas memórias e preservar esses registros, cumprem um papel fundamental na construção da memória coletiva e no reconhecimento de que a educação escolar é base essencial para qualquer trajetória de sucesso, seja no futebol ou em qualquer outra área.

Lições que Ficam

A história de Alisson Becker, contada através desses documentos escolares, nos ensina que o sucesso não vem sem sacrifícios e que a conciliação entre diferentes responsabilidades exige maturidade e apoio familiar. Os bilhetes de liberação, os atestados de ausência, as advertências por atraso e os boletins escolares são muito mais do que simples papéis: são testemunhos de uma jornada que exigiu dedicação, disciplina e, acima de tudo, equilíbrio.

Para os jovens atletas que hoje enfrentam desafios semelhantes, a história preservada pela Escola João Ribeiro serve como prova concreta de que é possível sonhar alto sem abandonar os estudos, desde que haja comprometimento, apoio familiar e uma boa dose de determinação.

Alisson Becker, hoje reconhecido mundialmente como um dos melhores goleiros de sua geração, carrega consigo não apenas as habilidades desenvolvidas nos gramados, mas também as lições aprendidas nos bancos escolares – e a Escola Estadual de Ensino Fundamental João Ribeiro tem o orgulho de fazer parte dessa história.

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